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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O ceú não existe


O céu não existe, assim como também não existem dias confortáveis. O céu não existe porque é uma ilusão, uma coisa pretendida, almejada, mas não real. O céu está sobre nossas cabeças? Quanto? Ninguém sabe. Só sabemos que mesmo nos dias em que vemos nuvens no céu, conseguimos ver o sol se tomarmos um avião e voar por cima das nuvens. O céu não é azul. O céu não é nublado. O céu é irreal. Dias confortáveis também. São dias imprecisos. Não naturais. Desconectados. Dias temporais. Dias passageiros, não eternos. A razão disso tudo? Ao invés de projetar um céu azul e confortável, que tal focar no presente que é eterno?
Ilusão é tudo o que temos. Ilusão é tudo o que sabemos.
Essa semana refleti bastante sobre a aplicação de comparativos que utilizamos no dia-a-dia. Queremos ser melhores. Dizemos que algo está errado. Juramos estar fazendo o correto. Pensamos que amamos. Tudo com base na comparação entre o que está acontecendo com algo que aconteceu no passado. Memórias ilusórias guardadas da maneira como bem entendemos dentro de nossas cabeças para comparar o novo com o velho e julgar se é melhor ou pior, bom ou ruim, mais prazeroso ou doloroso.
Percebo que são poucos os momentos em que mantenho calado o meu pensamento, minha fala e minhas ações e observo o que gira em torno de mim sem fazer qualquer comparação ou julgamento. Em verdade, manter-me atento às minhas falas e minhas ações já requerem bastante atenção, mas ainda, não julgar em pensamento, por vezes me escapa.
Fomos domesticados para desejar a todo o momento algo novo. Quando temos algo, queremos outra coisa “nova” e assim prosseguimos fazendo a roda girar, mas sem perceber que, apesar de parecer que estamos escolhendo algo, não temos opção e sucumbimos à vontade externa, ao que o nosso exterior quer e nos perdemos. Lamentavelmente. Se isto acabar amanhã, nada teremos feito com consciência de quem somos e do nosso potencial. Sempre esperamos algo além da morte diária das nossas vidas. Vamos dormir, esperando que o próximo dia seja melhor. Mas como ser melhor se o ser mutável de hoje, continuará tendo os mesmos pensamentos, as mesmas palavras e as mesmas atitudes que tem todos os dias? O céu não existe.
Pessoas, empresas, organizações, cada qual comparando-se ao padrão de outro tentando ser melhores. Porém, nem pessoas, nem empresas ou organizações, enxergam em si o que tem dever de fazer para servir, só servir, sem qualquer expectativa de céu. Se perderam da arte da manifestação da vida que tinham quando eram crianças. Pois é, o céu não existe. E não existe porque é uma alegoria, mas porque ele só é azul devido a interferência dos raios solares com a atmosfera terrestre e, por consequência, na forma como os olhos humanos enxergam aquilo. Um outro animal poderá enxergá-lo de uma outra forma.
O véu da ilusão fecha nossos olhos para a realidade do que somos por detrás das aparências que os outros veem em nós. E por causa desse véu, não vemos tudo aquilo que temos o dever de realizar, infelizmente. E por não servir ao outros como temos que fazer, a humanidade se destrói esperando o céu azul da ilusão chegar. E não chega nunca.
FONTE



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